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Deal Pill #31 · Outubro de 2026

  • Taste Labs
  • CRV
  • Amplify Partners

Taste Labs recebe aporte do CRV e Amplify Partners

Data
16 de junho de 2026
Setor
Tecnologia
Tipo
Seed
Valor
US$ 18,5 mi (2 rodadas)
Geografia
EUA

Em 16 de junho de 2026, a Taste Labs, startup fundada há cerca de um ano em Nova York pela brasileira Thais Castello Branco, captou US$ 18,5 milhões em duas rodadas desde a fundação, a mais recente co-liderada por CRV e Amplify Partners, com participação de BoxGroup, Banter VC, Latitud e anjos como Logan Kilpatrick e Gokul Rajaram. A tese da startup é ensinar modelos de IA a terem “bom gosto” em domínios subjetivos como design, composição visual e escrita criativa; onde não existe resposta objetivamente certa. É uma aposta de venture capital sobre o próximo gargalo da IA generativa: não mais escala de dados, mas qualidade e especialização.

Com informações da Exame.

O deal em números

  • +15

    Investidores nomeados.

  • 9 meses

    Da fundação até a rodada.

  • ~20

    Headcount da Taste Labs.

  • ~50

    Headcount pós-captação.

Sobre a Taste Labs

Fundada em 2025, a Taste Labs opera uma rede de “tastemakers” (especialistas humanos em design, frontend e crítica de arte) que avaliam e refinam a qualidade subjetiva de outputs de IA.

+1.000

“Tastemakers”.

Sobre os Investidores

CRV: um dos fundos de VC mais antigos dos EUA, décadas de histórico em tech early-stage. Amplify Partners: fundo mais recente, foco declarado em infraestrutura técnica e IA.

+750

Empresas apoiadas pela CRV VC.

A trajetória das empresas: Taste Labs e Investidores líderes

  • A Taste Labs: Fundada em 2025, em Nova York, a empresa operou boa parte do primeiro ano em modo stealth, usando o período para construir relacionamento de confiança com laboratórios de IA. Segundo a Latitud, a empresa já “tinha dados em massa, em escala absurda” e precisava apenas da camada de confiança necessária para operar com pesquisadores exigentes.
  • A saída do stealth, com a realização da rodada de US$ 18,5 milhões, ocorreu em 16 de junho de 2026. A empresa evita nomear clientes entre os laboratórios de IA, limitando-se a dizer que trabalha com “boa parte dos grandes”, mas já monetiza em produção.
  • Os Investidores: A Latitud escreveu o primeiro cheque ainda no estágio de concepção, antes de qualquer anúncio público; um movimento que o próprio fundo descreve como aposta na “taste layer” (julgamentos estéticos e intuitivos que a IA não replica sozinha) do ecossistema de IA.
  • Meses depois, CRV e Amplify Partners co-lideraram a rodada maior, trazendo validação institucional de longo prazo por meio da CRV e tese de infraestrutura técnica convergente por meio da Amplify. A Latitud reinvestiu na rodada seguinte; sinal de convicção que se aprofunda, não de aposta isolada.

Análise da Merak sobre a transação

  • Do ponto de vista de modelo de negócio, é interessante a dupla camada de receita que a empresa está construindo: vender dados e avaliação para quem treina os modelos (laboratórios de fronteira) e uma API de consistência de marca para quem usa modelos na produção (ferramentas de vibe coding, agentes, Figma). O aprendizado de um lado alimenta o produto do outro, mas também levanta uma pergunta que vale observar nas próximas rodadas: o que acontece se um dos grandes laboratórios-cliente decidir internalizar essa camada de avaliação de “bom gosto”, tornando-se, ao mesmo tempo, cliente e concorrente em potencial?
  • Scale AI como referência e risco: A validação mais óbvia da tese de mercado é o valuation de US$ 29 bilhões que a Scale AI já atingiu fornecendo uma versão mais massificada do mesmo tipo de serviço. Mas essa mesma comparação expõe o risco mais evidente da Taste Labs: ela compete, por um recorte diferente, num mercado onde o líder já tem bilhões em receita e relacionamento profundo com os mesmos laboratórios de fronteira que a Taste Labs está tentando conquistar.
  • Gargalo na maturidade tecnológica da IA: A Taste Labs está ocupando um espaço que só se tornou visível depois que a primeira onda de modelos generativos maturou, o momento em que “gerar algo” deixou de ser o problema, e “gerar algo bom, e não apenas plausível” passou a ser. É uma aposta sobre o ciclo de maturidade do próprio mercado, o que torna a tese fácil de defender numa conversa de investimento, mas também mais vulnerável a ser replicada por qualquer concorrente com acesso a uma boa rede de especialistas.

O que não fica óbvio no deal?

  • A Taste Labs evita nomear seus clientes entre os laboratórios de IA, limitando-se a dizer que trabalha com “boa parte dos grandes” e que “os suspeitos são óbvios”; uma forma educada de sugerir, sem confirmar, relacionamento com nomes como OpenAI, Anthropic ou Google DeepMind, sem assumir o risco contratual ou de relações públicas de citá-los diretamente. Isso é comum no setor, mas significa que qualquer leitura de solidez de receita ou de dependência de poucos clientes grandes permanece no campo da inferência.
  • A Taste Labs, operando simultaneamente como fornecedora de dados e de infraestrutura de API, possui dois motores de receita com ciclos de venda, clientes e métricas de sucesso distintos. Em estágio seed, isso costuma ser enxergado como diversificação inteligente, mas tende a exigir consolidação em um foco mais claro conforme a empresa cresce e levanta rodadas maiores.
  • Próximos passos da Taste Labs: A empresa deve expandir a rede de “tastemakers” além dos +1.000 especialistas atuais, com foco em novos domínios criativos, e avançar a extensão anunciada para música, cinema e escrita criativa, hoje focada em design e código frontend. Em paralelo, deve aprofundar a vertical de APIs para plataformas de vibe coding, agentes de IA e ferramentas como a Figma. É natural esperar, caso a tração se confirme, uma rodada Série A nos próximos 12 a 24 meses.