Deal Pill #17 · Julho de 2026
Haun Ventures aporta no Jota
- Data
- Junho de 2026
- Setor
- Fintech
- Tipo
- Série A
- Valor
- US$ 30 mi
- Geografia
- Brasil · EUA
Em junho de 2026, o Jota, assistente financeiro conversacional no WhatsApp para microempreendedores, captou US$ 30 mi em Série A liderada pela Haun Ventures, fundo de US$ 2,5 bi do Vale do Silício. A rodada avaliou a empresa em US$ 185 mi com apenas 17 meses de operação e coincide com o lançamento do Jota 2.0, transição de chatbot reativo para agente proativo, e da FalaTap, maquininha por voz e principal aposta de monetização. O deal marca o primeiro investimento da Haun no Brasil e revela uma tese maior: a de que o país é o laboratório global ideal para finanças conversacionais com IA.
Com informações do Brazil Journal.
O deal em números
US$ 185 mi
Valuation pós-money.
1º deal
Da Haun Ventures no Brasil.
0,37x
Múltiplo EV/TPV implícito.
US$ 38,9 mi
Total captado (seed + Série A).
Sobre a Haun Ventures
Fundada em 2021 por Katie Haun, ex-procuradora federal do DOJ e ex-GP da a16z, a gestora captou US$ 1,5 bi no Fundo I (cripto/Web3) e US$ 1 bi no Fundo II (2025), expandindo a tese para agentes de IA em finanças.
US$ 2,5 bi
Em AUM.
Sobre o Jota
Fundado em jan/2025 por Davi Holanda, ex-PagBank e fundador da Bankly, o Jota oferece gestão financeira para microempreendedores diretamente pelo WhatsApp, sem exigir que o usuário adote um novo app.
~300 mil
Clientes em 17 meses.
A trajetória das empresas: Haun Ventures e Jota
- O Jota: Fundado em jan/2025, o Jota transforma o WhatsApp (usado por 147 milhões de brasileiros) no canal principal de gestão financeira para pequenos negócios, aproveitando o uso diário do app pelo trabalhador informal para eliminar a necessidade de baixar uma nova ferramenta.
- O produto evoluiu rapidamente de um chatbot reativo (Pix e boletos) para funcionalidades de Calendário, Lembretes e Cheque Especial via Open Finance. O lançamento da FalaTap, maquininha por voz que transforma o celular em terminal de pagamentos, lidera hoje a receita da startup. Em jun/2026, o Jota 2.0 tornou-se um agente proativo que categoriza gastos, emite alertas e executa ações de forma autônoma, gerando um engajamento até 5x superior nos testes. Toda a operação bancária roda via Celcoin (Instituição de Pagamento regulada pelo Banco Central), dispensando licença própria e acelerando o go-to-market.
- A Haun Ventures: Fundada em dez/2021, captou US$ 1,5 bi no Fundo I (2022), focado em cripto/Web3 e dividido entre early-stage (US$ 500 mi) e aceleração (US$ 1 bi). O colapso do mercado (FTX, Terra) logo após o fechamento exigiu investimentos mais cautelosos.
- Em 2025, o Fundo II de US$ 1 bi expandiu a tese para a convergência de cripto, blockchain, serviços financeiros e agentes de IA. O maior exit do portfólio foi a Bridge, infraestrutura de stablecoins comprada pela Stripe por US$ 1,1 bi em out/2024.
- O aporte no Jota é o primeiro investimento público da gestora fora dos EUA. O deal foi liderado pelo GP Diogo Monica, cofundador da Anchorage Digital (primeiro banco cripto regulado federalmente nos EUA) e ex-Square, onde atuou na infraestrutura que movimenta mais de US$ 200 bi anuais.
Análise da Merak sobre a transação
- Fintechs conversacionais costumam construir produto gratuito sem encontrar modelo de receita. O Jota resolveu isso com a FalaTap, maquininha integrada nativamente ao fluxo do empreendedor que já usa o WhatsApp para cobrar. O diferencial não é a tecnologia: é o contexto. Meta de R$ 50 mi em ARR até dez/2026 exige escalar de zero para R$ 4,2 mi/mês em 7 meses; agressivo, mas sobre uma base de 300 mil clientes já ativa.
- Brasil como laboratório insubstituível: Nenhum outro mercado reúne simultaneamente WhatsApp com 147 milhões de usuários e 96% de penetração diária, Pix como sistema de liquidação instantânea e Open Finance regulado. O Jota não construiu esses rails, aproveitou o que já existia. Para a Haun, o deal é um ticket de P&D no melhor ambiente do mundo para testar finanças conversacionais com IA, com playbook portátil para outros mercados de alta penetração de WhatsApp.
- Cap table revela o próximo desafio: A HOF Capital (investidora de Anthropic, OpenAI e xAI desde a seed), não é apenas capital: é acesso prioritário a modelos de IA de fronteira que sustentam o Jota 2.0 e 3.0. A sobreposição entre a HOF Capital e a fundadora da Haun Ventures, que também foi investidora da Anthropic, sugere que essa conexão dentro do ecossistema pode ter sido um fator relevante na origem do deal.
O que não fica óbvio no deal?
- O Jota cresceu ~17.600 clientes/mês nos últimos 17 meses. Para atingir a meta de 1 milhão de clientes até dez/2026, será necessário acelerar esse ritmo para ~116.000 clientes/mês, um salto de 6,5 vezes a velocidade atual, algo sem precedentes no histórico interno. A FalaTap pode ser o vetor que justifica esse crescimento acelerado, já que cada novo lojista se torna cliente automaticamente, mas essa hipótese ainda não foi testada em escala.
- Mencionado discretamente como “em estudo”, o crédito em contexto é potencialmente o maior gerador de receita da história do Jota; margens de crédito superam as de acquiring. A lógica é: uma IA que já sabe o histórico de vendas do empreendedor, seus recebíveis futuros e seus padrões de fluxo de caixa está numa posição de underwriting muito mais precisa do que qualquer banco. Se bem executado, o crédito pode ser o produto que transforma o Jota de uma fintech de R$ 50 mi ARR em uma empresa de escala real.
- A Haun está mudando, e o Jota é o símbolo: O Fundo I da Haun era 100% cripto/Web3. O Fundo II expandiu para “AI agents em finanças.” O Jota é o primeiro investimento público que exemplifica essa expansão, e é também o primeiro fora dos EUA. Isso implica que o deal não é apenas um investimento financeiro: é um sinal de reposicionamento da gestora para o mercado e para seus LPs. Ao liderar uma Série A numa fintech conversacional brasileira, a Haun está sinalizando que sua tese não é mais “cripto”; é “a próxima infraestrutura financeira digital”, que pode ser construída sobre cripto, IA, ou ambos.







